Acuado, Evo Morales cede

Iniciado por noticias, 11Novembro2019, 21:01

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Acuado, Evo Morales cede


   A dúvida é se a convocação de novas eleições e renovação de membros do Tribunal Superior Eleitoral serão suficientes para aplacar a mais grave crise do presidente boliviano. Pessoas passam diante de pichação contra Evo em La Paz
David Mercado/Reuters
Um duro relatório da Organização dos Estados Americanos apontando fraudes nas eleições bolivianas e 20 dias de violentos protestos que questionavam a sua reeleição no primeiro turno deixaram o presidente Evo Morales sem opção. De um hangar no aeroporto de El Alto, onde está praticamente sitiado, ele anunciou novas eleições e a renovação do Tribunal Superior Eleitoral.
A questão é se essas medidas são suficientes para acalmar o eleitorado e aplacar a maior e mais grave crise de seu governo. Desde 2006 no cargo, Morales enfrenta o desgaste característico de quem se perpetuou no poder e ostenta o título de presidente que acumula mais tempo no poder na América Latina.
Desde que se proclamou presidente pela quarta vez e até 2025, após uma controversa contagem de votos contestada pela oposição, o presidente viu o país decompor-se numa mistura explosiva de marchas,  bloqueios de estradas, greves e fechamento de fronteiras.
A vitória em primeiro turno, com dez pontos de diferença sobre o principal adversário, Carlos Mesa, foi declarada depois de um suspeito apagão de 23 horas na contagem de votos, contrariando o prognóstico inicial de um segundo turno.
Evo Morales, pouco antes de anunciar as novas eleições, em 10 de novembro de 2019
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Novos ingredientes emergiram na oposição a Morales. Entre eles, Luis Fernando Camacho, líder do Comitê Cívico da rica região de Santa Cruz, que ofuscou o centrista Mesa e tornou-se o rosto mais visível do movimento que contestava a reeleição do presidente.
Considerado um expoente da direita radical, ele claramente defende a renúncia de Morales, a quem só se refere como ditador. Há quem o compare ao presidente autoproclamado interino da Venezuela, Juan Guaidó, mas falta-lhe ainda projeção internacional.
O presidente se viu acuado não somente pelos protestos, mas pelo motim de policiais em quatro unidades estratégicas, que declararam apoio aos manifestantes e recusaram-se a reprimi-los.  As Forças Armadas tampouco interferiram.
A violência foi além do que o governo previa: Patricia Arce a prefeita de Vinto, aliada de Morales, teve os cabelos cortados pelos manifestantes, foi coberta de tinta e arrastada à força pela rua. A casa da irmã do presidente foi incendiada.
Neste sábado, Morales denunciou a articulação de um golpe para tirá-lo do cargo, propôs o diálogo com a oposição, mas não foi ouvido. A auditoria da OEA recomendando novas eleições forçou o presidente a ceder.
A Bolívia cresceu e reduziu a pobreza sob o comando de Morales. Contudo, ele aferrou-se ao cargo e ignorou o resultado de um referendo, em 2016, que rejeitou a reeleição indefinida. Respaldado pelo Tribunal Constitucional, ele insistiu em nova candidatura.
Ninguém duvidava — nem ele próprio — que as eleições de outubro seriam o seu teste mais desafiador desde que assumiu a presidência. As medidas anunciadas neste domingo indicam que Evo Morales foi reprovado.

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