Desta vez, Trump ajudou os democratas

Iniciado por noticias, 16, Julho, 2019, 21:04

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Desta vez, Trump ajudou os democratas


   Com mensagem racista e xenófoba a deputadas progressistas, presidente americano conseguiu unir o partido adversário, fragmentado em disputas internas. Presidente Donald Trump, dos EUA, durante discurso no dia 12 de julho
Mandel Ngan / AFP
O presidente Donald Trump praticamente agiu como um pacificador do Partido Democrata ao tentar explorar, com uma mensagem xenófoba e racista, a cisão interna que a bancada opositora vem enfrentando. Pelas redes sociais, sugeriu a quatro congressistas americanas que voltassem a seus países de origem para ajudar a consertar "os lugares totalmente quebrados e infestados de crimes de onde vieram".
Em vez de aprofundar a divisão de seus adversários, Trump voltou a unificar os democratas, pelo menos temporariamente, torno do que deveria ser o objetivo principal: impedir sua reeleição nas eleições do próximo ano.
As quatro congressistas que Trump mandou voltar para casa são cidadãs americanas e foram eleitas no ano passado, justamente como uma reação a ao discurso incendiário que alimenta correligionários do presidente. Deram mais diversidade ?  Câmara dos Representantes, agora com maioria democrata.
Três delas nasceram nos EUA:  Alexandria Ocasio-Cortez tem ascendência porto-riquenha, Ayanna Pressley é a primeira negra a ser eleita pelo estado de Massachussets,  e Rashida Tlaib é filha de palestinos. Apenas Ilhan Omar imigrou criança para os EUA, fugindo com a família da guerra civil na Somália. 
A deputada Alexandria Ocasio-Cortez na porta de seu gabinete, em vídeo que postou em rede social
Reprodução/Twitter/Alexandria Ocasio-Cortez
Essa ala novata do Partido Democrata integra o chamado "Esquadrão", em rota de colisão direta com a líder na Câmara, a veterana Nancy Pelosi, especialmente em temas como imigração, meio ambiente e até o impeachment do presidente.
Aos 29 anos, Ocasio-Cortez é a congressista mais jovem do Capitólio. Meio século a separam de Pelosi, mas as divergências entre ambas não são apenas geracionais. Uma representa a ala radical dos democratas; a outra, o establishment.
O quarteto votou contra o partido no pacote de US$ 4,6 bilhões de ajuda humanitária ao caos que se instalou na fronteira sul americana, instigando a fúria de Pelosi.  Numa entrevista ao "New York Times", ela sugeriu que a força do grupo era ilusória, alimentada pelas redes sociais.  Ocasio-Cortez devolveu com insinuações de que grupo era vítima de racismo, das quais depois se disse arrependida.
É nesse ponto da pugna até então limitada ?  seara democrata, que o trator Trump intervém, aparentemente sob o pretexto de defender Pelosi, mas mirando a base eleitoral republicana: "É tão interessante ver mulheres congressistas democratas 'progressistas', que vieram originalmente de países cujos governos são uma catástrofe total e completa, os piores, mais corruptos e ineptos em qualquer lugar do mundo, dizendo ao povo dos Estados Unidos, a maior e mais poderosa nação da Terra, como nosso governo deve ser administrado".
A líder democrata não mordeu a isca; ao contrário, denunciou os tuítes do presidente como comentários racistas, com o objetivo de dividir a nação:
"Quando Trump diz a quatro congressistas que voltem a seus países, ele reafirma que seu plano de 'Faça a América Grande Novamente' sempre foi tornar a América branca novamente", tuitou.
A frente democrata agora unificada procurou dissipar as tensões da semana anterior, focando em seu adversário real: o presidente Trump. Como resumiu o colunista Paul Waldman na revista online "The American Prospect", a campanha de 2020 será muito parecida com a de 2016, independentemente de quem os democratas indiquem para se opor a Trump.
O presidente continua a agir como o guardião da hegemonia branca num país multirracial e multicultural. Quanto mais se dispersarem em brigas ideológicas, mais os democratas serão cabos eleitorais republicanos e ajudarão a reeleger o presidente.

Source: Desta vez, Trump ajudou os democratas

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