Líderes mundiais celebram em Paris os 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial

Iniciado por noticias, 13Novembro2018, 09:00

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Líderes mundiais celebram em Paris os 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial


   Celebrações são realizadas no Arco do Triunfo com a presença de Angela Merkel, Donald Trump e Vladimir Putin. Emmanuel Macron dununcia nacionalismo como 'traição ao patriotismo' e pede união para evitar ameaças atuais. Presidente francês Emmanuel Macron e líderes mundiais convidados chegam para as celebrações dos 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial neste domingo (11) em Paris
Yves Herman/Reuters
Mais de 70 líderes mundiais celebraram neste domingo (11) em Paris o centenário do armistício que selou o fim dos combates entre potências ocidentais e o Império Alemão na Primeira Guerra Mundial.
As celebrações foram realizadas no Arco do Triunfo. Entre os presentes estavam o americano Donald Trump, a alemã Angela Merkel, o russo Vladimir Putin, o turco Recep Tayyip Erdogan, além do francês Emmanuel Macron.
Líderes lembram centenário do fim da 1ª Guerra Mundial
Em seu discurso como mestre de cerimônias, Macron falou que a visão da França como nação generosa e "portadora de valores universais" é o "oposto do nacionalismo", que só cuida de si mesmo. "O nacionalismo é uma traição ao patriotismo", disse Macron.
O presidente francês pediu a seus colegas que rejeitem "o fascínio pela retirada, pela violência e pela dominação".
Somemos nossas esperanças em lugar de opormos nossos medos
Líderes mundiais se reúnem neste domingo (11) sob o Arco do Triunfo, em Paris, para celebrar os 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial
Thomas Samson/ AFP
"Juntos, podemos evitar as ameaças do aquecimento global e a destruição do meio ambiente, a pobreza, a fome, as doenças, as desigualdades, a ignorância", reforçou.
A cerimônia homenageou os soldados que lutaram nos combates e lembrou os mortos na Grande Guerra, entre 1914 e 1918. Estima-se que o conflito deixou 10 milhões de mortos, incluindo soldados e civis.
Estudantes leram depoimentos de soldados que participaram dos combates e o presidente francês reacendeu simbolicamente a chama do monumento que lembra os soldados desconhecidos mortos no conflito.
O presidente russo Vladimir Putin (de costas) chega para as comemorações do final da Primeira Guerra Mundial, há 100 anos, ao lado de Donald e Melania Trump, Angela Merkel e Emmanuel e Brigitte Macron
Benoit Tessier/Pool/Reuters
A maioria dos líderes percorreu a pé, debaixo de chuva, alguns metros na avenida Champs Élysées para chegar ao Arco do Triunfo. Chegaram separadamente, e um pouco mais tarde, Trump e Putin.
Também estão previstos um almoço no Palácio de Versalhes e a abertura do Fórum da Paz, um evento que vai durar três dias e que será simbolicamente aberto pela chanceler alemã, Angela Merkel.
Presidente francês Emmanuel Macron acende chama ao lado de estudantes perto de monumento que lembra soldados desconhecidos mortos na Primeira Guerra neste domingo (11) no Arco do Triunfo, em Paris
Francois Mori/Pool via Reuters
No encontro, líderes mundiais, representantes de ONGS e associações, discutirão principalmente a questão do multilateralismo, fragilizado nos últimos meses pela política americana, que privilegia os acordos bilaterais. Trump não participará da reunião.
Em Londres, a data foi lembrada em uma cerimônia no Cenotáfio, monumento em homenagem aos mortos da Primeira Guerra. As celebrações foram comandadas pelo príncipe Charles e tiveram a participação da rainha Elizabeth, da premiê Theresa May e do presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, entre outras autoridades.
Cerimônia no Cenotáfio em Londres homenageia neste domingo (11) os mortos na Primeira Guerra Mundial
Alastair Grant/AP Photo
Rainha Elizabeth, duquesa de Cornwal, Camilla, e duquesa de Cambridge, Kate, assistem à cerimônia de homenagem aos mortos na Primeira Guerra Mundial neste domingo (11) no Cenotáfio de Londres
Alastair Grant/ AP Photo
No Vaticano, o Papa Francisco afirmou que a lembrança da Primeira Guerra Mundial deve ser "para sempre" uma "severa chamada" para "investir na paz".
A página histórica do primeiro conflito mundial é para sempre uma severa chamada a rejeitar a cultura da guerra e a buscar todos os meios legítimos para pôr fim a todos os conflitos que ainda atingem muitas regiões do mundo
"Digamos com força: Invistam na paz, não na guerra!", exclamou Francisco desde a janela do Palácio Apostólico diante dos fiéis que escutavam na Praça de São Pedro, depois de realizar orações pelas vítimas "daquela enorme tragédia".
Ato em Compiègne
Neste sábado, Macron e Merkel participaram de uma breve cerimônia em Compiègne, ao norte de Paris. Foi nessa cidade que foi assinado, em um vagão de trem, em 1918, o armistício entre as potências ocidentais e o Império Alemão.
Macron e Merkel inauguraram uma nova placa na clareira de Rethondes que reafirma o "valor da reconciliação franco-alemã a serviço da Europa e da paz".
Angela Merkel e Emmanuel Macron em réplica de vagão onde armistício foi assinado em 1918, pondo fim à Primeira Guerra Mundial
Philippe Wojazer/Reuters
Mais de três milhões de franceses e alemães estiveram entre os mortos. Boa parte das batalhas mais duras foram nas trincheiras no norte da França e na Bélgica.
Protesto do Femen
Antes da cerimônia no Arco do Triunfo, uma ativista de topless do coletivo feminista Femen interrompeu a comitiva do presidente americano, que se deslocava pela avenida Champs Elysees. Ela tinha pintada no corpo a expressão "Fake Peace Makers" ("falsos pacificadores", em português) e foi detida pela polícia.
Ativista de topless interrompe comitiva do presidente Donald Trump em Paris
Carlos Barria/Reuters
Cerca de 10 mil agentes foram mobilizados para garantir a segurança em Paris durante essa comemoração.
No sábado, três integrantes do Femen protestaram sob o Arco do Triunfo para denunciar a presença de "criminosos de guerra" entre as autoridades convidadas para a cerimônia do centenário do armistício. Elas também foram detidas.
Ativistas do Femen protestam neste sábado em Paris contra presença de 'criminosos de guerra' em evento que vai celebrar o fim da Primeira Guerra Mundial
Geoffroy van der Hasselt/ AFP
"Viemos protestar contra a chegada de chefes de Estado que são uma vergonha para a paz. A maioria são ditadores que não respeitam os direitos humanos em seu país", disse Tara Lacroix, uma Femen de 24 anos.
A 1ª Guerra Mundial
Nos anos que antecederam a 1ª Guerra Mundial, a Europa vivia um clima de rivalidade e corrida armamentista entre as grandes potências, que disputavam colônias na África e na Ásia, além de territórios dentro do próprio continente.
Mundo lembra 100 anos do fim da 1ª Guerra Mundial
O fato que culminou na guerra foi o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro, e de sua mulher, Sofia, em 28 de junho de 1914. Eles foram vítimas de um atentado durante visita a Sarajevo – ato com importante conteúdo político, pois buscava demonstrar o domínio austríaco sobre a região.
Um mês depois, em 28 de julho, o Império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia, dando início ao confronto.
Por causa da política de alianças, em pouco tempo praticamente toda a Europa estava envolvida no conflito: de um lado estavam os países da Tríplice Aliança (Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro) e, do outro, a Tríplice Entente (Reino Unido, França e Rússia).
Em maio de 1915, a Itália, que pertencia à Tríplice Aliança (mas até então estava neutra), declara guerra ao Império Austro-Húngaro e muda de lado, indo a combate do lado da Entente, em troca da promessa de receber territórios.
Apesar de ser um conflito essencialmente europeu, a guerra envolveu os Estados Unidos e o Japão, e as colônias das potências da Europa também foram campos de batalha.
A entrada dos Estados Unidos na guerra foi determinante para o desfecho do conflito. Foi ao lado dos americanos que os países da Entente conseguiram reagir de forma mais efetiva contra as investidas do exército alemão.
Com o fim dos combates, os antigos impérios desmoronaram e foi criada a Liga das Nações, um embrião da Organização das Nações Unidas. Mas a humilhação dos derrotados, principalmente os alemães, serviu de combustível para o nazifascismo, que pouco mais de 20 anos depois mergulhou o mundo na 2ª Guerra Mundial.

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