'Me deu pânico, estou sozinha aqui', diz campo-grandense sobre onda de protestos no Chile

Iniciado por noticias, 23Outubro2019, 03:00

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'Me deu pânico, estou sozinha aqui', diz campo-grandense sobre onda de protestos no Chile


   Dayana Vitório mora há oito anos em Santiago e conta que nesta segunda-feira (21), a empresa que trabalha dispensou todos os funcionários por questão de segurança.   Bombeiros combatem incêndio durante protestos em Valparaíso, no Chile
Reuters/Rodrigo Garrido
A campo-grandense de 32 anos Dayana Vitório que há oito anos vive em Santiago, no Chile, descreve a atual situação do país, que enfrenta uma onda de protesto por conta do aumento das passagens de metrô, como um cenário assustador. Apesar de nesta segunda-feira (21) o clima estar mais pacífico, ela conta que na última sexta-feira (18), a violência tomou conta das ruas do país:
"Me deu pânico, estou sozinha aqui. Minha família toda está no Brasil e nunca tinha visto isso antes. Foi assustador", relembra.
Dayana que trabalha na área comercial de uma empresa multinacional, conta que mesmo o governo chileno voltando atrás quanto ao valor das passagens do metrô, os protestos começaram a ganhar força: "Foi nesse momento que começou todo o caos. As pessoas aproveitaram essa insatisfação contra os bilhetes e foram se revoltando por outros serviços. Quem não estava protestando, começou a protestar", explicou ao G1.
Santiago nesta segunda-feira (21). Metrô volta a funcionar parcialmente, após onde de intenso protesto.
Dayane Vitório
Desde sexta-feira (18), uma onda de protestos violentos deixou 11 mortos e 1.462 detidos. O metrô, que transporta diariamente quase 3 milhões de pessoas, estava fechado depois que 78 estações e trens sofreram ataques durante violentas manifestações que começaram por causa do aumento nas tarifas do metrô. A empresa estatal que administra o sistema avalia que o prejuízo deve chegar a mais de 300 milhões de dólares.
Conforme a campo-grandense, na última sexta-feira, o ápice dos protestos,  conta que teve muito dificuldade par chegar em casa por conta das manifestações: "Nesse dia foi a gota d'água. Eu saí duas horas mais cedo do meu trabalho, e as quatro da tarde, era impossível se locomover em Santiago. Toda linha 1 que cruza a cidade estava fechada. Eu tive que caminhar cerca de quatro estações para chegar em casa", relembra.
Protesto neste último domingo (20), na região central de Santiago, Chile.
Na manhã desta segunda, primeiro dia depois de três jornadas de distúrbios, foram reabertas uma parte das estações da linha 1 do metrô, uma das sete que integram a rede da capital. Para que as pessoas pudessem voltar ao trabalho, 465 ônibus extras foram colocados em circulação.
Segundo Dayane, mesmo com a retomada da normalidade, a violência é outro ponto que a preocupou nesse período tenso que o Chile vive: "De repente tudo começou a sair fora de controle. Teve gente que começou a roubar,  entraram dentro de supermercados e saquearam. Até dentro das casas começaram a entrar. Eu nunca tinha visto isso e tentamos voltar a vida como era antes", lamenta.
No domingo, o ministro do Interior chileno, Andrés Chadwick, tinha informado que sete pessoas tinham morrido durante dois incêndios: duas pessoas em um supermercado durante a madrugada e outras cinco em uma fábrica na periferia da capital.
"Hoje tivemos mais de 70 atos de grave violência, entre eles, mais de 40 saques", disse Chadwick em um pronunciamento.
Trabalhador limpa supermercado após saques realizados durante os protestos em Santiago do Chile deste domingo (20)
Esteban Felix/AP
Ainda de acordo a campo-grandense, nesse último domingo foi emitido um toque de recolher às sete da noite, mesmo assim, protestos, em uma escala menor, contribuíram para que algumas pessoas aproveitassem a situação para entrar e roubar apartamentos. Ela ainda conta que a empresa na qual trabalha dispensou todos os funcionários nesta segunda-feira por questão de segurança.
'Estamos em guerra'
O presidente chileno, Sebastián Piñera, disse em um pronunciamento no domingo que esta segunda-feira seria "um dia difícil".
"Estamos em guerra contra um inimigo poderoso, implacável, que não respeita nada nem ninguém, que está disposto a usar a violência e a delinquência sem qualquer limite", declarou.
Porém, nesta segunda-feira, o general Javier Iturriaga negou estar em estado de guerra.
"Eu sou um homem feliz e a verdade é que não estou em guerra com ninguém".
Problemas nos voos
Os protestos afetaram os voos com partida e chegada ao aeroporto internacional da capital chilena. A Latam anunciou o cancelamento de todos os seus voos com origem em Santiago entre as 19h deste domingo e as 10h de segunda, com exceção dos voos LA530, LA704 e LA2364, que se destinam a Nova York, Frankfurt e Lima, respectivamente.
Nesta segunda-feira, voos de Guarulhos, na Grande São Paulo, para Santiago sofreram atrasos e um foi cancelado.

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