"Qualquer pessoa poderia ser atingida", diz testemunha de tragédia no Chile

Iniciado por noticias, 07Junho2019, 15:00

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"Qualquer pessoa poderia ser atingida", diz testemunha de tragédia no Chile


   Dolores Medeiros diz que não há sinalização e que muitas pessoas passavam no local onde uma pedra atingiu as meninas Khálida e Isadora. Serviço de Turismo diz que há barreira impedindo a passagem de ônibus, mas que turistas costumam ir a pé até um mirante. Isadora Bringel e Khálida Trabulsi, de 7 e 3 anos de idade
Arquivo pessoal
Uma testemunha contou ao G1 que qualquer pessoa poderia ser atingida no local onde duas meninas morreram após serem atingidas por um deslizamento de pedra na Cordilheira dos Andes, no Chile. Dolores Medeiros é psicóloga e estava com um outro grupo de turistas a 20 metros do local do acidente. Ela relatou que não há sinalização e que muitas pessoas passavam pela mesma região.
"De forma alguma havia sinalização. O guia informa que devemos nos manter no centro da trilha em fila indiana, mas o local em que elas foram atingidas tem inclusive uma barraca, como um camelô que vende chás, café, biscoitos... Qualquer pessoa poderia ter sido atingida ali"
Dolores Medeiros estava a 20 metros do local onde as duas meninas brasileiras foram atingidas por uma rocha
Arquivo Pessoal
Dolores conta ainda que chegou a ver as pedras caindo da montanha nas imediações da barragem de El Yeso, um ponto turístico na Cordilheira dos Andes.
"Vimos as pedras rolando. Havia uma pedra maior e algumas menores. Não vi o momento que atingiu as meninas, mas ouvimos os gritos e, quando nos aproximamos, um dos pais já havia saído com a criança menor [Khálida]. Acompanhei o socorro da segunda [Isadora]"
Ao chegar próximo ao local onde Isadora estava, Dolores disse ainda que viu a menina receber os primeiros socorros imediatamente.
"A médica que estava no nosso grupo fez os primeiros socorros com nosso guia e o pai da criança. Ela chegou a voltar a si e dizia algumas palavras. Foi improvisada uma padiola e ela foi levada ate a ambulância que chegou ao local onde os carros ficam estacionados. Todos pensamos que sobreviveria", disse Dolores.
Local exato onde ocorreu o deslizamento que matou duas crianças brasileiras no Chile.
Arquivo pessoal
Ademir Mendonça, outra testemunha brasileira que estava no local, contou a uma TV chilena que a região não possui nenhuma advertência por parte das autoridades e das empresas de turismo.
"Não há nenhuma advertência por parte das empresas de turismo, tampouco as autoridades colocam placas de perigo. O gelo derrete, deixa as pedras escorregadias, e as pedras caem. Há necessidade de, além de colocar placas de advertência, as agências de turismo informarem as pessoas", relatou.
Após o incidente, o governo chileno fechou a rodovia de acesso ao reservatório El Yeso. Em comunicado enviado ao G1, o Serviço Nacional de Turismo do Chile (Sernatur) explicou que há uma barreira para impedir a passagem de ônibus e outros veículos a partir do quilômetro 21,7 da estrada que leva ao reservatório.
O próprio órgão, vinculado ao governo chileno, também diz que os turistas costumam seguir a pé em direção a um mirante. O Sernatur informou ainda que convocou reunião com os responsáveis pelo parque para discutir maneiras de evitar novos acidentes e prometeu aumentar a sinalização na região.
Deslizamento no Chile causou morte de brasileiras
Arte/G1
À imprensa chilena, a empresa de turismo Tip Group Travel, responsável por levar os brasileiros ao local, informou que está dando todo o suporte necessário à família das vítimas e que está levando todas as informações do caso para as autoridades locais. O G1 pediu explicações à empresa sobre os brasileiros terem sido levados ao um lugar considerado perigoso, mas a Tip Group não respondeu.
O G1 também aguarda retorno da CVC, empresa parceira da Tip Group e que, segundo familiares, levou os brasileiros até o Chile.
Vítimas eram amigas
Khálida Trabusli Lisboa, de 3 anos, e Isadora Bringel, de 7 anos, viajavam pelo Chile com as respectivas famílias, que são amigas. As duas meninas estudavam na mesma escola em Bacabal, cidade no interior do Maranhão, onde ambas viviam. Nesta terça-feira (4) as aulas no Colégio Reis Magos foram suspensas por conta da morte das crianças.
'Hoje não ouvi você dizer que me ama', diz mãe
'Está todo mundo em estado de choque', diz avô
Colégio Reis Magos, em Bacabal
Divulgação
Dois familiares e uma advogada vão viajar para o Chile para ajudar na liberação do corpo de Khálida. De acordo com o avô da menina, ainda não há previsão por parte das autoridades chilenas para a liberação do corpo da sobrinha, mas a família espera que o procedimento esteja pronto até o fim da semana.
A família de Isadora informou ao G1 que nenhum familiar deve ir ao Chile e que deve entrar com os procedimentos legais para liberar o corpo a partir do Maranhão. Ainda não há informações sobre quando o corpo da menina deve chegar ao estado.

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