Tratamento de casos de câncer de intestino diminui muito por causa da pandemia

Iniciado por noticias, 19Fevereiro2021, 03:03

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Tratamento de casos de câncer de intestino diminui muito por causa da pandemia

O câncer de cólon e reto é um dos mais comuns no Brasil. O Instituto Nacional de Câncer estima que o país terá 41 mil novos casos diagnosticados em 2021 e, quando se fala nessa doença, a demora no tratamento pode ser fatal. Tratamento de casos de câncer de intestino diminui muito por causa da pandemia
Desde o início da pandemia, o tratamento dos casos de câncer de intestino diminuiu muito no Brasil.
A explosão de casos de Covid distorceu números de outras doenças. O Hospital A.C. Camargo, especializado em câncer, notou que, do início até o pico da pandemia em 2020, diminuiu o número de novos pacientes com diagnóstico de câncer colorretal. A queda foi de 46%, na comparação com o mesmo período de 2019.
"Essa redução, obviamente, não foi pela redução da incidência de casos de câncer colorretal. O que nós identificamos foi: primeiro, medo da população de procurar um serviço de saúde para investigar um sintoma. Medo dos próprios serviços de saúde, de abrir suas portas para muitos pacientes e aumentar a disseminação do vírus. O câncer colorretal precisa de um exame invasivo para o seu diagnóstico, que é o exame de colonoscopia. E, nessa época da primeira onda, os serviços de endoscopia, por ser um exame invasivo e de alto risco de transmissão, eles fecharam completamente", afirma o cirurgião oncologista Samuel Aguiar Junior, do Hospital A.C. Camargo.
O câncer colorretal atinge o intestino grosso. A maior parte desse órgão é conhecida como cólon e a parte final, antes do ânus, é o reto. Na colonoscopia, um tubinho flexível com uma câmera na ponta é introduzido no intestino e faz imagens que revelam se o paciente tem algum tumor.
A Dona Nadieis estava com sintomas. Quase não ia ao banheiro. Procurou uma unidade básica de saúde, mas precisou insistir muito para conseguir uma consulta, porque todo o esforço era para atender casos de Covid.
"Tinha que esperar um pouco, que não estava tendo vagas. Os clínicos estavam todos lotados. Então, eu saí batendo de porta em porta até que eu consegui essa vaga de encaixe. Me ligaram tipo segunda-feira: 'Olha, tem uma desistência no A.C. Camargo. Você pode ir tipo quarta-feira?'. Eu falei: 'Posso, claro que eu posso'", conta a pedagoga Nadieis da Silva Dantas Fernandes. O exame confirmou o câncer e ela foi operada.
O câncer de cólon e reto é um dos mais comuns no Brasil. O Instituto Nacional de Câncer estima que o país terá 41 mil novos casos diagnosticados em 2021 e, quando se fala nessa doença, a demora no tratamento pode ser fatal.
Dona Neusa passou por uma consulta em junho de 2020, mas só conseguiu data para fazer a colonoscopia em novembro. "O médico disse assim: 'Se fosse demorar muito, era perigoso eu estar correndo risco de vida'. Falou que precisaria fazer a cirurgia o mais urgente que pudesse", diz a pensionista Neusa Corradini Geraldo. Ela teve que fazer duas cirurgias em janeiro e passou mais de 20 dias internada.
O levantamento do hospital mostra que, de março a julho de 2019, 38% dos casos diagnosticados de câncer colorretal estavam em estágio avançado. Durante a pandemia, saltou para 64%.
"Esses pacientes não deixam de existir. Eles só não aparecem para o sistema. E uma hora eles chegam nos prontos-socorros, eles chegam nos serviços de emergência, com tumores avançados. A nossa preocupação é se os hospitais vão suportar a demanda, considerando-se que câncer não teve a sua incidência diminuída, mas os hospitais continuam lotados para atender pacientes com Covid", diz Samuel Aguiar Junior.

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