10 anos da Guerra na Síria: família do menino que morreu em travessia e se tornou símbolo ajuda outros refugiados

Iniciado por noticias, 17Março2021, 15:00

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10 anos da Guerra na Síria: família do menino que morreu em travessia e se tornou símbolo ajuda outros refugiados

Em 2015, Alan Kurdi foi encontrado morto numa praia da Turquia. Ele e a família tentavam atravessar o Mar Mediterrâneo em busca de uma vida mais segura e promissora. Depois da tragédia, a tia e o pai do garoto fundaram uma ONG para amparar refugiados.  O sírio Alan Kurdi, de 3 anos, após morrer em naufrágio
Nilüfer Demir/AP
A Guerra da Síria completa 10 anos com mais de 500 mil mortos com o regime do presidente Bashar al-Assad consolidando o controle sobre um país devastado pelo conflito, com uma economia dizimada e sob a intervenção de potências estrangeiras com interesses divergentes. Metade da população de 22 milhões fugiu. A família de Abdullah Kurdi faz parte dessa tragédia. Ele, os dois filhos e a mulher tentaram escapar do país atravessando o Mar Mediterrâneo em um bote. Apenas Abdullah sobreviveu. A foto de um dos filhos morto em uma praia na Turquia chocou o mundo e se tornou símbolo do drama dos refugiados. Alan Kurdi tinha 3 anos.
O Edição das 18h conversou com Tima Kurdi, a tia do menino. Foi ela quem deu apoio ao irmão Abdullah depois da tragédia.
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"Quando todo o mundo viu a imagem do meu sobrinho Alan na praia, aquele dia mudou a minha vida completamente. Eu decidi falar e usar a minha voz. E pedir a cada cidadão em todo o mundo que não ficasse em silêncio e ajudasse os refugiados", conta Tima, que mora no Canadá, para onde seus parentes desejam ir.
"Como eu poderia salvar minha própria família sem salvar as outras?", diz ela.
Tima Kurdi
Reprodução/GloboNews
Em 2016, ela fundou uma ONG com o irmão para ajudar refugiados pelo mundo, e que deu a chance de Abdulah ajudar crianças da idade dos filhos que perdeu. A ideia surgiu depois que eles visitaram um campo de refugiados no Curdistão.
"Foi muito emocionante, muito doloroso, especialmente para o Abdullah. Naquele momento, ele tinha perdido a família inteira. Eu queria tirar aquela dor dele", conta. O irmão respondeu: "Se eu quiser continuar vivendo a minha vida, quero ajudar as crianças no campo de refugiados e pelo menos dar a elas a educação, o que quer que elas precisem, o que eu não consegui fazer pelas minhas próprias crianças. E eu queria ter uma fundação para fazer isso."
O projeto deu sentido à vida do homem que viu a mulher e os filhos morrerem naquela travessia. Abdullah se casou de novo e teve um filho ano passado. O nome: Alan Kurdi. Que nesses últimos anos virou também nome de praça e de barco que ajuda a resgatar refugiados.
A data desta segunda (15) faz Tima lembrar da Síria sem guerra, quando ela batia papo com os vizinhos na porta de casa e passeava com a família. Ela sonha em voltar pra país de origem um dia. Mas é realista.
"Sempre mantive a esperança de que a guerra fosse acabar, de que meu país seria reconstruído e as pessoas que quisessem voltar teriam a chance de fazer. Mas agora, dez anos depois, a situação está ficando pior. (...) as pessoas estão realmente morrendo na Síria porque não há medicamentos. Eles não têm comida, não têm emprego. Eu desejo que vários países pensem no povo da Síria, deixem a política de lado e foquem no sofrimento humano".
Abdullah Kurdi com a foto dos filhos e da mulher, que morreram na travessia
Gabriel Chaim/G1

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