Apoio de Bachelet a Gabriel Boric sacode a campanha e revolta setores conservadores do Chile

Iniciado por noticias, 17, Dezembro, 2021, 03:03

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Apoio de Bachelet a Gabriel Boric sacode a campanha e revolta setores conservadores do Chile


   Candidato da extrema direita, José Antonio Kast acusa a ex-presidente de intervenção nas eleições, por ocupar o cargo de alta comissária da ONU para os Direitos Humanos. Gabriel Boric e Michelle Bachelet
Montagem g1/AFP
Não causou surpresa alguma no Chile o apoio da ex-presidente Michelle Bachelet ao candidato Gabriel Boric, que neste domingo concorre ao cargo de presidente, pela esquerda, numa disputa com o ultradireitista José Antonio Kast. De férias em Santiago, ela causou muito alvoroço nos setores conservadores do país ao se envolver na campanha, ocupando o cargo de alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.
Boric, que se reuniu no domingo com a ex-presidente, aplaudiu o endosso; Kast a chamou de intervencionista. De forma discreta e contida, Bachelet manifestou-se por meio de um vídeo de um minuto, divulgado por sua fundação, a Horizonte Cidadão, e justificou seu voto ao candidato da aliança Aprovo a Dignidade.
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"Vim cumprir meu dever cívico porque o que vai ser decidido no domingo é fundamental. Ninguém pode ser indiferente. Eleger um presidente garanta que nosso país possa realmente continuar no caminho do progresso para todos, um caminho de mais liberdade, igualdade e direitos humanos que sejam respeitados; um ambiente sustentável e, claro, a oportunidade de uma nova Constituição."
A atitude de Bachelet não poderia ser outra. A ex-presidente sofreu na pele os reflexos traumáticos da ditadura militar comandada entre 1973 e 1990 pelo general Augusto Pinochet, de quem Kast é admirador. Preso e acusado de traição por não apoiar o golpe militar contra Salvador Allende, seu pai, o brigadeiro-general Alberto Bachelet, foi morto em 1974 em decorrência de torturas.
Michelle e a mãe, que atuavam clandestinamente no Partido Socialista, foram detidas em janeiro de 1975, e levadas para Villa Grimaldi, que após o golpe serviu como centro de detenção e execução de prisioneiros. Após serem libertadas, seguiram para o exílio na Austrália. Bachelet se juntou ao namorado, o dirigente socialista Jaime López Arellano, na Alemanha Oriental. De volta ao Chile, ele foi preso pela DINA, a polícia política do regime, e desapareceu.
Candidato do Partido Republicano, Kast já declarou que, se fosse vivo, Pinochet votaria nele. Se eleito no domingo, prometeu retirar o Chile do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Desta forma, irritou-se por Bachelet ter manifestado sua preferência eleitoral – "ela sabe que representa os chilenos no exterior".
O comando de sua campanha, no entanto, se apressou em minimizar o apoio da ex-presidente ao candidato concorrente, que lidera as pesquisas de opinião. "Bachelet não move as peças do tabuleiro nem transfere votos. Se ela tivesse esse poder, a candidata da esquerda hoje seria Paula Narvaez", observou Evelyn Matthei, derrotada em 2013 foi pela ex-presidente, referindo-se ao desempenho da candidata socialista no primeiro turno realizado em novembro.
As normas de conduta que regem a administração pública internacional não impedem que os funcionários públicos tenham que renunciar às suas opiniões políticas. De acordo com o documento publicado pela Comissão de Administração Pública Internacional, elas devem ser expressas com discrição, como fez Bachelet em sua mensagem de vídeo.
Partidos de direita, assim como alguns representantes do governo de Sebastián Piñera, protestaram contra o que chamaram de ingerência da ex-presidente. A Renovação Nacional afirmou, em comunicado, que o pronunciamento da ex-presidente "colide frontalmente com seus deveres de autoridade internacional" e pediu que o embaixador do Chile na missão permanente junto às organizações internacionais seja convocado.
Houve quem defendesse o afastamento da alta comissária de direitos humanos de seu cargo, mas os ânimos exaltados não encontraram eco na Secretaria-Geral da ONU, que se recusou a comentar o tema.
Como observou Juan José Ossa, ministro-secretário da Presidência, Bachelet deve ter analisado a fundo a questão, com todas as limitações e protocolos, antes de anunciar publicamente a sua preferência. E, levando-se em conta a dimensão do cargo que ocupa nas Nações Unidas, a ex-presidente chilena não pode ser acusada de incoerente por preferir Boric a Kast.

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