
Marcos Espinal, diretor para doenças transmissíveis, disse que a entidade está 'preocupada' com o Brasil e que a situação do país é 'delicada'. Parente sepulta vítima da Covid-19 no cemitério do Caju, no RJ, no dia 31 de maio.
Silvia Izquierdo/AP
O diretor para doenças transmissíveis da Opas, Marcos Espinal, declarou nesta terça-feira (2) que a entidade está "preocupada" com o Brasil na pandemia de Covid-19 e afirmou que a situação do país é "delicada". A entidade é o braço regional da OMS nas Américas.
"A situação no Brasil é delicada e estamos muito preocupados, porque o que temos visto é um aumento nos casos, aumento na mortalidade na última semana. As medidas de mitigação precisam continuar a ser implementadas", afirmou Espinal.
"Não podemos generalizar, porque o Brasil é um país vasto, e os estados são diferentes. Os governadores precisam contiuar a implementar as medidas", afirmou.
"O Brasil ainda não está fazendo o número suficiente de testes. Melhorou – cerca de 4.430 testes para cada 1 milhão de habitantes. Existem países fazendo 25 mil, 20 mil, 15 mil testes para cada um milhão. Então é imperativo que os testes aumentem", pontuou.
"Estamos vendo no Brasil que a ocupação de leitos de UTI está muito preocupante em alguns estados, como Ceará, Amapá, Maranhão. É importante que o Brasil adote ações nesses estados para habilitar mais leitos", declarou Espinal.
"Temos altas taxas [de casos] nos estados do Norte e Nordeste, mas também temos mais de 100 mil casos nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro", lembrou Espinal. "As próximas semanas serão cruciais para o Brasil, e vão depender de como o pacote de ações é implementada".
Vários estados brasileiros anunciaram flexibilizações das medidas de restrição social nos últimos dias, em uma época em que a maior parte do país tem alta na circulação de vírus respiratórios, segundo séries históricas da Fiocruz.
Até esta terça-feira (2), o Brasil tinha mais de 30 mil mortos pela Covid-19, segundo levantamento feito pelo G1 junto às secretarias estaduais de Saúde.
Avanço da pandemia e alerta para reabertura
Estudo da Fiocruz diz que não é a hora de flexibilizar o isolamento social
Espinal pontuou, ainda, o aumento do número de cidades brasileiras que registraram casos de Covid-19.
"Na úiltima semana, o aumento dos casos foi de 144%. A mortalidade aumenta. Mas, além disso, o número de municípios que estão reportando casos, nas duas semanas entre 11 e 25 de maio, aumentou 168%", disse.
Já a diretora-geral da Opas, Carissa Etienne, alertou os países sobre os riscos de retomarem atividades econômicas em meio à pandemia de Covid-19.
"Pensem duas vezes antes de suspender medidas de distanciamento social", disse a líder da entidade, que é o braço regional da OMS nas Américas.
Etienne recomendou aos países que não reabram a economia rápido demais – ou correm o risco de perder os avanços conseguidos durante o isolamento.
América do Sul não chegou ao pico, diz OMS
22 de maio: duas mulheres aguardam comida trazida por servidores municipais dada a famílias economicamente afetadas pela pandemia de Covid-19 em Santiago, no Chile.
Martin Bernetti/AFP
Na segunda-feira (1º), o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, alertou que a situação da pandemia na América do Sul está "longe de ser estável", e que não acredita que a região tenha chegado ao pico da pandemia.
Ele ressaltou que, entre os dias 31 de maio e 1º de junho, 5 países das Américas estavam entre os dez que mais reportaram casos em 24 horas. O Brasil foi o que teve mais registros, seguido dos Estados Unidos. O Peru ficou em quinto lugar; o Chile, em sexto; e o México, em oitavo.
Países com mais casos reportados à OMS entre 31/05 e 01/06
A organização também já havia alertado que a América do Sul se tornou o epicentro da pandemia.
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Source: Brasil não está fazendo o número suficiente de testes contra a Covid-19, alerta OPAS (https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/06/02/pensem-duas-vezes-antes-de-suspender-medidas-de-distanciamento-social-alerta-diretora-geral-da-opas.ghtml)