Em fala na ONU, Brasil 'exige' da Nicarágua punição de responsáveis por morte de estudante brasileira

Iniciado por noticias, 13Setembro2018, 03:02

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Em fala na ONU, Brasil 'exige' da Nicarágua punição de responsáveis por morte de estudante brasileira


   Pernambucana Raynéia Gabrielle Lima morreu por disparos no país que vive distúrbios políticos. A estudante brasileira de medicina Rayneia Lima, de 30 anos, foi assassinada a tiros na Nicarágua
Reprodução/TV Globo
A representante permanente do Brasil junto à ONU em Genebra, embaixadora Maria Nazareth Farani Azevêdo, pediu durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da organização, nesta terça-feira (11), a "rápida identificação e punição dos responsáveis" pela morta da estudante pernambucana Raynéia Gabrielle Lima.
"O Brasil compartilha a profunda preocupação da alta comissária (Michelle Bachelet) com a deterioração da situação dos direitos humanos na Nicarágua", disse Azevêdo. "Condenamos o agravamento de todas as formas de violência e violações de direitos humanos.  Lamentamos em particular o assassinato em 23 de julho da estudante brasileira (...). O governo brasileiro acompanha com interesse o desenvolvimento do caso. Exigimos do governo nicaraguense a rápida identificação e punição dos responsáveis pela sua morte", completou.
A diplomata ainda condenou a decisão do governo de  Daniel Ortega de expulsar a missão do Alto Comissariado de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), dois dias após a publicação de um relatório sobre os abusos cometidos pelo regime contra manifestantes.
"Instamos o governo da Nicarágua a retomar o diálogo e a cooperação com o escritório do Alto Comissariado, dando-lhe livre acesso ao território", disse a diplomata brasileira.
Prisão
A polícia da Nicarágua prendeu no fim de julho um vigilante particular suspeito de matar a estudante brasileira.
Segundo um comunicado distribuído à imprensa, Pierson Gutiérrez Solis, de 42 anos, carregava uma carabina M4 quando foi detido, o mesmo tipo de armamento que teria sido usado para matar Raynéia.
No entanto, de acordo com Ernesto Medina, reitor da Universidade Americana em Manágua (UAM), onde a brasileira estudava, ela morreu após ser atingida por tiros disparados por "um grupo de paramilitares" que estava na casa de Francisco López, tesoureiro da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), o partido do governo.
A polícia, no entanto, nega a acusação e diz que o vigilante é o autor dos disparos.
Entenda o conflito na Nicarágua
Segundo um relatório do IML, a morte de Raynéia foi provocada por ferimentos causados por projéteis de arma de fogo recebidos no tórax e abdome. O laudo não menciona quantos tiros ela recebeu.
A estudante de 30 anos morreu quando voltava para casa após um plantão. Aluna do sexto ano de medicina, ela fazia residência e planejava voltar ao Brasil em 2019, segundo sua família.
Violência
A Nicarágua está envolvida atualmente em sua maior crise política e na maior onda de violência desde a Revolução Sandinista, que terminou com a ditadura da dinastia Somoza em 1979. Mais de 440 pessoas morreram nos últimos três meses em repressões a manifestações contra o governo de Daniel Ortega, que se nega a antecipar eleições presidenciais.
Segundo a mãe de Raynéia, Maria José da Costa, a estudante se queixou da falta de segurança no país em seus últimos contatos com a família. "Ela me dizia sempre que lá estava muito perigoso, que ninguém estava saindo na rua", contou ao G1.
Mapa da Nicarágua
G1

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