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Final da Libertadores encerra ano agitado no Peru; veja tudo que aconteceu no país


   Crise política, morte de ex-presidente e fechamento do Congresso marcaram o 2019 dos peruanos. No esporte, país recebeu Pan e Parapan, mas perdeu o direito de sediar a final da Copa Sul-Americana e a Copa do Mundo Sub-17 da Fifa. Fachada do Congresso do Peru, em Lima
Guadalupe Pardo/Reuters
Lima, capital do Peru e sede da final da Copa Libertadores entre Flamengo e River Plate neste sábado (23), viveu um 2019 turbulento. A cidade que também abriga o poder peruano assistiu à morte de um ex-presidente, à prisão de outro, a um fechamento de congresso e à tentativa de destituição do atual mandatário, Martín Vizcarra.
Apesar do ano tenso no Peru, a Conmebol — entidade máxima do futebol na América do Sul — escolheu Lima para receber a final da Libertadores justamente porque a cidade peruana está em situação mais tranquila do que Santiago, capital do Chile. A violência nos protestos no país vizinho deixaram ao menos 20 mortos, e o presidente chileno, Sebastián Piñera, aceitou discutir uma nova constituição para acalmar os manifestantes.
Curiosamente, Lima deixou de receber outros dois eventos importantes do futebol por problemas na estrutura e na organização. A capital peruana deveria sediar a final da Copa Sul-Americana, que acabou ocorrendo em Assunção, no Paraguai. E diversas cidades no Peru abrigariam a Copa do Mundo Sub-17, mas a Fifa transferiu a sede para o Brasil.
Atletas do Brasil no Pan de Lima
Jonne Roriz/COB
Porém, contou a favor de Lima a relativa tranquilidade durante a celebração dos Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos, entre julho e setembro deste ano. Apesar de dificuldades com a entrega das obras e com a caótica mobilidade urbana, ambos os eventos transcorreram sem maiores problemas e credenciaram a capital do Peru para uma segunda chance ao receber a final da Libertadores.
Veja abaixo como foi o 2019 dos peruanos
Ex-presidente preso
O ex-presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, durante audiência em tribunal em Lima, no dia 16 de abril
Reuters/Guadalupe Pardo
As investigações envolvendo políticos de diferentes espectros no Peru e a empreiteira brasileira Odebrecht, ainda em 2018, deram origem à operação conhecida como Lava Jato peruana. Naquele ano, a crise derrubou o então presidente, Pedro Pablo Kuczynski, conhecido pela sigla PPK.
Em 10 de abril deste ano, a Justiça ordenou a prisão de Kuczynski, que responde por suposta lavagem de dinheiro em esquema que envolve a Odebrecht. Uma semana depois, o ex-presidente foi hospitalizado e levado para a UTI. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar.
Suicídio de Alan García
Amigos e familiares carregam o caixão do ex-presidente peruano Alan Garcia, em Lima, no Peru
Reuters/Guadalupe Pardo
No mesmo dia da internação de Kuczynski, o ex-presidente Alan García morreu após dar um tiro na cabeça quando a polícia chegou à casa onde ele vivia para prendê-lo. Ele chegou a ser levado a um hospital com vida, mas não resistiu aos ferimentos.
García governou o Peru em dois mandatos (1985-1990 e 2006-2011). O ex-presidente era investigado por financiamento irregular de campanha, lavagem de dinheiro e tráfico de influência — também na operação conhecida como Lava Jato peruana.
Em carta de despedida, García disse sofrer injustiça e garantiu que "não houve nem haverá contas nem propinas" e que "a história tem mais valor que qualquer riqueza material".
Vizcarra fecha Congresso...
Presidente do Peru, Martín Vizcarra, anuncia fechamento do Congresso e convocação de novas eleições
Peruvian Presidency/Handout via Reuters
Poucos dias depois do fim dos Jogos Parapan-Americanos de Lima, em setembro, a crise política peruana se acentuou quando o presidente Martín Vizcarra decidiu dissolver o Congresso e convocar novas eleições.
A manobra está prevista na Constituição peruana quando os parlamentares rejeitam duas leis vinculadas a moções de confiança do Conselho de Ministros. Na ocasião, Vizcarra vinculou a medida a um projeto de reforma no Judiciário, derrubada pelo Congresso de maioria oposicionista e com muitos nomes envolvidos nos escândalos de corrupção.
Manifestantes comemoram em Lima, capital do Peru, o fechamento do Congresso anunciado por Martín Vizcarra nesta segunda-feira (30)
Guadalupe Pardo/Reuters
VEJA TAMBÉM: Peru tem sistema político singular; entenda
Com a decisão de Vizcarra, o Peru passará por eleições para definir a nova composição do Parlamento. A votação está prevista para janeiro.
... e oposição tenta destituir o presidente
Mercedes Aráoz, em imagem de arquivo de 2 de setembro 
Andrea Verdelli / Reuters
Logo após Vizcarra anunciar a dissolução do Congresso, parlamentares aprovaram a suspensão temporária do presidente por "incapacidade moral". Em seguida, nomearam a vice-presidente do parlamento, Mercedez Araóz, para ocupar provisoriamente a Presidência.
Policiais bloqueiam porta do Congresso do Peru, em Lima, nesta terça-feira (1º)
Martin Mejia/AP Photo
No entanto, a tentativa de retirar Vizcarra do cargo não prosperou. Manifestantes favoráveis ao presidente protestaram em frente ao Congresso, em Lima. As forças de segurança, inclusive os militares, não reconheceram o ato de Araóz. Assim, policiais fecharam as entradas da sede do parlamento para que os parlamentares opositores não desobedecessem a dissolução.
Pressionada, Araóz renunciou ao cargo de vice-presidente parlamentar — e, consequentemente, às intenções de destituir Vizcarra da Presidência.
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