Irmãos Bolsonaro compraram imóveis com dinheiro vivo, mostra levantamento em cartórios

Iniciado por noticias, 25Setembro2020, 03:06

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Irmãos Bolsonaro compraram imóveis com dinheiro vivo, mostra levantamento em cartórios

A negociação e a forma de pagamento estão nas escrituras públicas em dois cartórios do Rio. Os documentos foram obtidos pelo jornal O Globo. Irmãos Bolsonaro compraram imóveis com dinheiro vivo, mostra levantamento em cartórios
Um levantamento de informações registradas em cartórios do Rio de Janeiro revelou que filhos do presidente Jair Bolsonaro têm o hábito de comprar imóveis com dinheiro vivo.
A negociação e a forma de pagamento estão nas escrituras públicas em dois cartórios do Rio. Os documentos foram obtidos pelo jornal O Globo. Na compra mais recente, em 29 de dezembro de 2016, quando estava no primeiro mandato como deputado federal, Eduardo Bolsonaro pagou R$ 1 milhão por um apartamento em um prédio em Botafogo, na Zona Sul do Rio.
A escritura revela que ele já tinha dado um sinal de R$ 81 mil pelo imóvel e, pelo registrado no documento, estava pagando mais R$ 100 mil no ato em moeda corrente do país, contada e achada certa.
Tabeliães ouvidos pelo Jornal Nacional disseram que a expressão "moeda corrente contada e achada certa" se refere a dinheiro vivo.
O registro mostra ainda que Eduardo Bolsonaro iria pagar R$ 18,9 mil seis dias depois. A maior parte do valor, R$ 800 mil, foi quitada com financiamento na Caixa Econômica Federal.
Segundo o jornal, em 2011, quando ainda não era deputado, Eduardo Bolsonaro já tinha comprado outro imóvel usando dinheiro vivo. Como registrado na escritura, ele pagou R$ 160 mil por um apartamento em Copacabana; R$110 mil foram pagos no ato com cheque administrativo e os outros R$ 50 mil em moeda corrente, tudo conferido, contado e achado certo.
A escritura do apartamento de Copacabana revela também que o imóvel foi comprado por um valor inferior ao que a prefeitura avaliava na época. No documento está descrito que a Secretaria Municipal de Fazenda, para efeitos fiscais, avaliou o imóvel em R$ 228 mil. Eduardo Bolsonaro pagou 30% a menos do que o valor de referência da prefeitura.
Irmão de Eduardo, Carlos Bolsonaro também comprou um apartamento no Rio em dinheiro vivo.
O jornal O Estado de S. Paulo revelou, na quarta (23), que em 2003, no primeiro mandato como vereador, Carlos foi a um cartório no Centro do Rio e pagou R$ 150 mil em "moeda corrente do país, contada e achada certa", como diz a escritura que oficializou o negócio. Hoje, corrigido pela inflação, o valor corresponde a R$ 366 mil. O imóvel fica em um prédio na Tijuca, Zona Norte do Rio, e ainda pertence ao vereador, que está no quinto mandato.
Pagar em dinheiro vivo parece ser um hábito na família Bolsonaro e que atravessa gerações.  O Jornal Nacional já mostrou que Rogéria Bolsonaro, a primeira mulher do presidente Jair Bolsonaro, e mãe de Flávio, Eduardo e Carlos, comprou um apartamento na Zona Norte do Rio de Janeiro em 1996 com dinheiro vivo.
A escritura registra que o preço certo e ajustado de R$ 95 mil foi recebido integralmente no ato através de moeda corrente devidamente conferida, contada e achada certa e examinada pelos vendedores. Noventa e cinco mil reais em valores de hoje, atualizados pela inflação, são R$ 621 mil.
Na época, Rogéria era casada em regime de comunhão parcial de bens com o então deputado federal Jair Bolsonaro. Os dois se separaram dois anos depois, em 1998.
O filho mais velho do casal, o senador Flávio Bolsonaro, também já usou dinheiro vivo em transações imobiliárias. Mas, por decisão da Justiça, a TV Globo está proibida de divulgar informações e documentos sob segredo de Justiça do inquérito que investiga o senador no caso da rachadinha. A investigação é conduzida pelo Ministério Público do Rio.
A 33ª Vara Cível do Tribunal concedeu a liminar contra a TV Globo ao senador do Republicanos Flávio Bolsonaro, o principal investigado do inquérito, no dia 4 de setembro. A Globo afirma que a decisão judicial foi um cerceamento à liberdade de informar, uma vez que a investigação é de interesse de toda a sociedade.
O Jornal Nacional não conseguiu contato com Carlos Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro.

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