Na Ásia, biólogo de Presidente Prudente enfrenta rotina de cuidados contra o coronavírus: 'Ficamos preocupados'

Iniciado por noticias, 05,Fevereiro, 2020, 15:00:18 pm

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Na Ásia, biólogo de Presidente Prudente enfrenta rotina de cuidados contra o coronavírus: 'Ficamos preocupados'


   Wagner Junior Melo Morais Souza está no Japão há 10 meses e convive com um grave surto da doença pela primeira vez. Ele também explica o vírus e como preveni-lo. Biólogo prudentino Wagner Junior Melo Morais Souza mora com a família no Japão
Arquivo pessoal
Em dezembro do ano passado, uma nova doença começou a preocupar moradores da Ásia, principalmente da China. O coronavírus já vitimou centenas de pessoas e tem se espalhado por vários países. Conforme o monitoramento de uma universidade dos Estados Unidos da América (EUA), o segundo local com mais casos é o Japão. Um biólogo de Presidente Prudente (SP) que mora lá utilizou uma plataforma na internet para publicar um vídeo com explicações sobre a doença e métodos de prevenção (assista ao conteúdo ao fim desta reportagem). Ele também conversou com o G1 e contou como está o clima no Oriente devido ao surto da doença.
Há dez meses morador na cidade de Kani-Shi, Estado de Gifu ken, no Japão, o biólogo prudentino Wagner Junior Melo Morais Souza, de 29 anos, junto à sua família, enfrenta uma rotina diferente, principalmente agora, com o surto do coronavírus. Ele também gravou um vídeo explicativo sobre o vírus de modo geral, o coronavírus e métodos de prevenção.
"Pra mim e pra minha família, foi tudo novo. Quando a gente ficou sabendo que o surto estava vindo para cá, ficamos um pouco preocupados, porque no Brasil a gente não tem esse tipo de surto assim, é bem raro isso acontecer", contou ao G1.
Na região em que o biólogo mora, não foram constatados casos da doença, mas em uma cidade a duas horas de distância já tem registro confirmado da doença.
"Pra mim e pra minha família, é a primeira vez que a gente tem contato com um surto assim tão grande. É diferente, porque é um surto que nunca teve no mundo, então, é uma coisa que deixa você com medo, fica mais receoso em tudo. Até quando você sai para os lugares, evita tocar nas coisas, nos produtos das lojas, acaba só olhando mesmo, evita ficar pegando em maçaneta de portas. Você fica preocupado com quase tudo. Uma pessoa espirra e você fica preocupado, uma pessoa tosse e você fica preocupado. Então, usar luva e máscara acabou fazendo parte do nosso cotidiano", contou ao G1.
O biólogo contou que a primeira medida, desde quando se mudaram do Brasil, foi aumentar a imunidade.
"A gente já saiu daí com as vacinas, saiu tomando vitaminas, consultando médico para que passasse uma vitamina para fortalecer o corpo, porque a gente sabia que estava saindo de um país tropical para um país em que as temperaturas são bastante elevadas, tanto no calor quanto no frio", declarou.
Porém, mesmo preparados, o prudentino e a família ficaram com um pouco de medo.
O monitoramento da Johns Hopkins University, atualizado às 11h13 desta terça-feira (4), indica 20.490 casos confirmados na China, 20 no Japão e 19 na Tailândia. Há um total de 427 mortes e 725 pessoas recuperadas.
Monitoramento de universidade americana coloca o Japão em 2º lugar com casos confirmados
Reprodução
Preocupação
Antes de o coronavírus surgir, o Japão enfrentava surtos de outros dois vírus, o da Influenza e o norovírus, simular ao rotavírus no Brasil (Ichou kaze). O biólogo disse que é comum nessa época em que o clima está mais ameno no país.
"Aqui no Japão já tem o costume de usar a máscara cirúrgica normalmente, mas de um tempo para cá aumentou bastante o uso", comentou ao G1.
Em um primeiro momento, quando souberam que o vírus estava se espalhando, as pessoas sentiram medo, pois não conheciam a doença, não sabiam o que estava acontecendo, já que havia pouca informação. Então, o uso das máscaras foi algo deliberado desde o início.
"O motivo que pode ser que fortaleça a doença aqui, nesse momento, é que as temperaturas estão bem amenas. Então, por conta de ter um clima mais frio, as pessoas tendem a ter mais resfriados, gripes e a imunidade cai, e, quando a imunidade cai, os vírus têm mais força sobre o seu corpo", explicou ao G1.
Souza ainda contou que no Japão tem uma grande quantidade de idosos e uma pesquisa que feita por ele constatou que vários casos do coronavírus atingiram tal grupo.
Nas regiões, as pessoas estão bem preocupadas e se prevenindo bem. "Hoje, quando você sai na rua, praticamente todas as pessoas estão fazendo o uso de máscara para se proteger e a informação que você recebe em todo lugar é sempre o álcool em gel na mão, sempre higienizar as mãos, sempre estar de máscara, evitar aglomerações. Aqui as pessoas estão reagindo desta forma. Percebo que entre os japoneses ficou um clima bem tenso em relação a esse tipo de doença e eles estão se preparando bem para não espalhar isso", detalhou o biólogo.
Sem imunidade
Conforme explicou o biólogo ao G1, um surto ocorre, pois o ser humano ainda não teve contato com o vírus e, sendo assim, não tem imunidade contra ele. "Então, acaba sendo uma coisa mais forte e, de início, acaba, infelizmente, vitimando muitas pessoas até o corpo começar a criar uma imunidade contra aquele vírus", disse.
Souza acredita que o controle e o combate vão ficar mais fáceis daqui a um tempo. "Pelo que pesquisei, já estão pesquisando, criando alguns modelos, protótipos de vacina sendo testados para ver se funciona. Acredito que logo eles consigam algum tipo de vacina contra o vírus, mas todo cuidado é pouco para que isso não descontrole, porque o problema hoje é se esse vírus chegar em países que têm a situação precária, que tenham a situação de saúde precária", declarou.
"Comumente, o vírus no começo, quando as pessoas não têm imunidade, tende a ser mais agressivo e conforme o passar do tempo começa a se tornar mais brando, porque ele precisa se reproduzir, e o vírus usa o corpo do hospedeiro, no caso, o ser humano, para se reproduzir. Ele não tem que matar todos os seres humanos, porque assim ele não consegue sobreviver. Então, o que ele precisa fazer é sobreviver, precisa se espalhar, e este é um dos problemas porque ele começa a se multiplicar muito. Agora está na fase de controlar, diminuir aquilo", explicou o biólogo.
Possivelmente no futuro, segundo Souza, este vírus acabará se tornando mais brando, como qualquer outro vírus, como, por exemplo, os da gripe, da influenza e da herpes, que estão presentes na população, porém, sem ser muito agressivos.
"Acredito eu que logo mais baixe a poeira, fique mais calmo, vai virar como uma influenza, que acaba indo e voltando, mas isso é decorrente de qualquer vírus. Infelizmente, tem que se passar por esse processo quando há um novo vírus", declarou ao G1.
O biólogo ainda orientou que a dica é a prevenção. "É mais um controle nosso mesmo e fazer a preparação da sua imunidade todos os dias para que, quando acontecer um surto, você não sofra as consequências de forma mais grave", salientou. Entre os cuidados, estão a higiene, a boa alimentação e a prática de atividades físicas.
Contato com animais
O que se sabe é que o vírus está presente em animais selvagens e há informações de que venha dos morcegos. O vírus passa para outros animais, passa pelos seus corpos e vai sofrendo mutações, até que chega ao ser humano, causando todo esse efeito atual, de acordo com Souza ao G1.
"Cada dia mais a gente está tendo mais contato com a natureza selvagem e vão aparecer mais e mais doenças que a gente não conhece, porque o contato era mínimo e hoje o contato acaba sendo maior. Por conta de a gente ter um contato maior com a natureza, de uma forma errada, que é consumindo, comercializando esse tipo de animais que geralmente não são consumíveis, aí o vírus que a gente não tinha conhecimento acaba passando pro ser humano", esclareceu.
O assunto entre os japoneses e a comunidade brasileira refere-se realmente ao consumo e ao comércio de animais exóticos, que, agora, diante do surto da doença, são evitados.
Um dos métodos de prevenção é a higienização
Divulgação
Orientação
Em um vídeo no YouTube, o biólogo explica que o vírus, de modo geral, é um ser microbiótico, visto somente através de microscópio, e é classificado como ser vivo ou não ser vivo. "Ele não tem classificação", conta.
O vírus entra no seu corpo, parasita uma célula do seu corpo e dentro dessa célula ele se multiplica e vai se replicando até essa célula estourar e liberar vários outros vírus, despertando os sintomas.
"Então, a gente pode imaginar como se fosse uma infestação de carrapatos num cachorro, ou um piolho na cabeça de uma criança. Entra o primeiro bichinho, ele se reproduz e aí vários vão se reproduzindo e vai aumentando a infestação", compara.
Quanto ao coronavírus, ele é existente na população há muitos anos. O biólogo conta que eram conhecidos seis tipos e, atualmente, tomou-se conhecimento de um novo coronavírus, o sétimo tipo. Ele recebe esse nome devido ao formato de coroa.
"O vírus só consegue se espalhar tendo contato com o seu receptor. Se ele estiver no ambiente, ele não se reproduz. Só se reproduz se tiver contato com o corpo", conta. Ele ainda destaca o aumento do contato entre os seres humanos e animais silvestres também por conta de fatores como o desmatamento, a caça e a alimentação.
O coronavírus é classificado hoje como 2019-nCoV e foi mundialmente tratado como um vírus de risco alto, pois pode se espalhar para vários países.
Assim como o vírus da gripe, este também é transmitido por vias aéreas ou em contato com alguma superfície que tenha sido tocada por alguém que estava infectado. Então, se ficar próximo a pessoas que apresentam sintomas como tosse, espirro e coriza, qualquer um pode ser infectado pelo vírus.
O biólogo esclarece que o vírus tem pouco tempo de vida, dura de três a quatro dias num ambiente e é facilmente limpo, pois têm uma proteção fraca e morre rapidamente quando não está dentro de um hospedeiro.
Os moradores do Japão estão preocupados com a dispersão do vírus, pois o país é bem próximo da China, e já tem casos confirmados da doença, mas sem mortes. O Japão priorizou o nacionalismo e disponibilizou um avião para buscar nativos que estavam no território vizinho. Alguns moradores consideraram um "absurdo", mas houve cuidados para não espalhar o vírus.
Todos estão sujeitos a pegar o vírus, mas os mais vulneráveis são idosos e doentes crônicos, que estão com a imunidade debilitada.
Como prevenir o vírus?
É como prevenir qualquer tipo de vírus, por exemplo, o da gripe. "A primeira coisa a se fazer é fortalecer o seu corpo com o tempo, se alimentar direito, tomar vitaminas", que fazem o organismo ficar mais resistente. O biólogo ainda salienta que, com uma alta imunidade, o vírus pode até passar pelo corpo, mas não se manifestará e o organismo vai conseguir expelir o parasita.
"O mais importante é a prevenção", enfatiza.
Principalmente para os países que já estão em surto, pode-se usar máscaras, mas tem um modelo específico para a proteção do vírus.
Mas também há os cuidados básicos, como a higiene: lavar bem as mãos e com frequência, evitar tocar em superfícies e pessoas, não levar as mãos sujas aos olhos ou à boca e evitar locais aglomerados.
O biólogo ainda coloca que há um lado positivo: as pessoas estão começando a criar imunidade sobre o vírus. Várias pessoas já se recuperaram do vírus.
"O vírus passou pelo corpo e criou uma imunidade, assim como o vírus da gripe. Todo surto funciona desse jeito, as pessoas não têm imunidade, o vírus passa pelo corpo, seu corpo cria imunidade e o vírus tem menos influência sobre o corpo humano", detalha.
Casos de coronavírus pelo mundo
Arte G1
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