Trump, Netanyahu e o boicote a duas deputadas americanas

Iniciado por noticias, 18Agosto2019, 09:00

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Trump, Netanyahu e o boicote a duas deputadas americanas


   Premiê atende ?  pressão de presidente e veta a entrada de congressistas democratas críticas ao país, abrindo precedente na histórica aliança entre EUA e Israel. Ilhan Omar (esq.) e Rashida Tlaib ouvem discurso de Donald Trump em fevereiro de 2019
J. Scott Applewhite/AP
Investigado por corrupção e a um mês de enfrentar novas eleições para assegurar o quinto mandato, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sucumbiu ?  intimação de seu maior aliado, o presidente Donald Trump.  Negou a entrada no país das congressistas democratas e muçulmanas Ilhan Omar e Rashida Tlaib porque ambas romperam com a tradição do partido de apoio a Israel.
Abriu-se um precedente perigoso na histórica aliança entre EUA e Israel. Um presidente americano pede ao chefe de governo para proibir a visita de membros da oposição.  O premiê israelense aceita as demandas e impede a visita de representantes democraticamente eleitos e com mandatos no Capitólio. Estamos falando de Trump e Netanyahu, dois líderes sob pressão da reeleição, que radicalizam posições para agradar ? s suas bases.
Sob a perspectiva de Trump, se o premiê permitisse a entrada de deputadas que "odeiam Israel e todos os judeus", daria uma demonstração de fraqueza. Aos olhos de seus opositores dentro e fora de Israel, Netanyahu foi fraco, sim, mas ao decidir barrar as duas deputadas: agiu como fantoche do presidente americano, deixando-o interferir em assuntos internos do país.
Críticas ferrenhas de Israel em relação aos palestinos e defensoras do movimento de boicote ao país, elas pretendiam visitar a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Tinham, inclusive, recebido o aval do embaixador em Washington. Até Trump se intrometer.
Ambas integram o chamado "Esquadrão" democrata: quatro deputadas que defendem uma agenda mais ?  esquerda do partido. A elas, o presidente americano sugeriu, no mês passado, que voltassem a seus países de origem, apesar de serem cidadãs americanas. 
Depois, num comício na Carolina do Norte, Trump reforçou o teor racista de sua declaração e concentrou-se especialmente em críticas a Omar, acusando-a de minimizar os atentados do 11 de Setembro. Foi interrompido com gritos de "mande-a de volta", emanados por uma plateia furiosa de partidários.
Se desembarcassem em Israel, Omar e Tlaib cumpririam um roteiro previsível. Denunciariam violações dos direitos humanos dos palestinos, reforçariam o respaldo ao movimento de boicote ao país, deixariam o Partido Democrata numa desconfortável posição diante do eleitorado por seu tradicional apoio a Israel.  Isso sim beneficiaria os interesses domésticos do presidente.
Trump, porém, fez um favor a seus adversários políticos: agora só precisam defender as congressistas por terem sido impedidas de entrar no país. De demonizadas pelo presidente e pelos republicanos, Omar e Tlaib passaram ao papel de vítimas.
As críticas ?  interferência de Trump acabaram unindo entidades judaicas nos EUA de diferentes correntes: a maioria considerou o veto mais prejudicial ?  aliança e aos interesses dos dois países do que a oposição das duas congressistas ?  política israelense.
Há dois anos o governo aprovou uma lei que lhe dá o direito de barrar a entrada de pessoas que apoiam o movimento de boicote ao país -- caso das duas deputadas. Mas exceções também são permitidas, por recomendação do Ministério de Relações Exteriores.
Filha de imigrantes palestinos, a deputada Rashida Tlaib tem parentes na Cisjordânia. Alegando razões humanitárias, o governo israelense voltou atrás e autorizou a sua entrada, apenas para que ela visite a avó, de 90 anos. O veto a Omar foi mantido. E o estrago está feito: impedi-las de visitar o país só deu mais visibilidade ? s suas crenças políticas e ao movimento de boicote ao país.

Source: Trump, Netanyahu e o boicote a duas deputadas americanas

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