'Virou uma cidade fantasma', diz palestina refugiada em SP que cresceu no bairro mais bonito de Gaza

Iniciado por noticias, 22, Novembro, 2023, 01:24

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'Virou uma cidade fantasma', diz palestina refugiada em SP que cresceu no bairro mais bonito de Gaza


     Al-Zahra, vilarejo ao sul da Cidade de Gaza, foi alvo de ataques de Israel em 20 de outubro, e mais de 20 prédios foram ao chão. A engenheira Ronza AbuJayyab, palestina que vivia na região e hoje é refugiada no Brasil, conta que parentes testemunharam a destruição e hoje aguardam por uma chance de entrar no Egito. Imagem aérea mostra edifícios destruídos na cidade de al-Zahra, ao sul da cidade de Gaza, em 20 de outubro de 2023.
Belal ALSABBAGH / AFP
Ronza AbuJayyab tinha cerca de 7 anos quando a família dela se mudou da Cidade de Gaza para Al-Zahra, um vilarejo mais ao sul e perto do Mar Mediterrâneo, que ainda estava em fase de construção e expansão e que viria a se tornar "o bairro mais bonito de Gaza". Desde 20 de outubro, quando a região foi alvo de dezenas de ataques a míssil anunciados por Israel, ela afirma que o local "virou uma cidade fantasma".
A jovem engenheira mecatrônica, hoje com 29 anos, mora em São Paulo desde agosto de 2022 e acompanhou o bombardeio por meio de notícias e de informações que chegavam pela família.
O pai, mãe, dois irmãos, irmã, avó e a cunhada de Ronza testemunharam a destruição. Hoje, eles estão na fronteira sul de Gaza.
Ronza e o marido, Akram, que foram oficialmente reconhecidos como refugiados pelo governo brasileiro, agora tentam junto ao Itamaraty que seus parentes próximos possam ser incluídos na lista de cidadãos que o Brasil tenta evacuar para o Egito.
Ronza AbuJayyab, engenheira palestina de 29 anos, foi reconhecida como refugiada pelo governo brasileiro em outubro deste ano
Ana Carolina Moreno/TV Globo
"Eles moravam em uma casa. Eles [o exército de Israel] ligaram para alguém e obrigaram que avisasse todo mundo que era para saírem de casa porque eles iriam atacar os prédios", explicou ela ao g1.
"Passaram o primeiro dia na rua, fazia muito frio e estava terrível. Eles viram as luzes e os sons das bombas e foguetes muito claros e muito perto. Estavam com muito medo." Depois, a família AbuJayyab buscou refúgio em um hospital, mas foi orientada a ir até a universidade.
Zuhdi Ibrahim AbuJayyab, avó de Ronza, em foto tirada no jardim da casa da família, em Al-Zahra; aos 88 anos, ela precisou fugir depois que mais de 20 prédios no vilarejo foram destruídos por mísseis
Arquivo pessoal
A casa da família não ficou completamente destruída e, na manhã seguinte, os irmãos de Ronza entraram no imóvel para retirar uma sacola com documentos e trocas de roupa.
"Enquanto eles estavam lá, houve outro foguete, um de aviso, e falaram que era para ninguém voltar a Al-Zahra novamente, que era para esperarem nas ruas", disse ela. "Quando fiquei sabendo disso eu perdi o controle."
Ronza só conseguiu ter mais detalhes sobre o que ocorreu recentemente. "Minha mãe só começou a falar sobre a situação uns dias atrás. Antes, ela ficava em silêncio e não falava sobre o que aconteceu", explicou ela.
"Minha mãe disse que todas as pessoas na rua estavam chorando, todas. As crianças, os jovens, porque eles viram suas casas bombardeadas. As pessoas tinham se recusado a acreditar que tinham perdido suas casas. Essa cidade virou uma cidade fantasma, não era mais a cidade da vida deles."
O bairro mais bonito de Gaza
A região de Al-Zahra cresceu junto com Ronza. Ela nasceu na Cidade de Gaza, mas em 2001 a família se mudou para o vilarejo que havia sido fundado na década de 1990.
"Quando a gente foi morar lá, Al-Zahra era horrível, ainda estavam começando a construir, a comprar casas. Mas as pessoas na cidade se esforçaram muito para melhorar as ruas, os prédios. Nós temos jardins, um parque grande na nossa cidade, também temos hospital, temos duas escolas, e ainda uma universidade. A paisagem estava ficando muito bonita. Eu vivi todos esses passos da cidade."
Sua parte favorita eram a Rua da Universidade e a rua que terminava na praia. "Era onde nós andávamos de bicicleta", lembra.
Ronza e o marido, Akram, decidiram deixar Gaza em 2017, quando se casaram, porque não acreditavam que a região era segura para construírem uma família. Eles moraram um ano e meio no Egito, três anos e meio na Turquia e em agosto de 2022 aterrissaram em São Paulo, onde vivem até hoje, na Zona Sul da capital.
Nunca mais retornaram à Faixa de Gaza. "Não consigo imaginar 25 blocos de apartamentos destruídos."
Imagem aérea mostra edifícios destruídos na cidade de al-Zahra, ao sul da cidade de Gaza, em 20 de outubro de 2023
Belal ALSABBAGH / AFP

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